Na poltrona do
cinema:
O animador
brasileiro Carlos Saldanha volta às telonas com a animação
infantil A Era do gelo 3
- Ice Age: Dawn of the
Dinossaurs - contando as mais novas aventuras de Many, Ellie, Sid e Diego.
No filme, os mamutes Many e Ellie aguardam um bebê, o tigre
dentes-de-sabre Diego enfrenta a crise da idade que vem chegando
e a preguiça Sid sente seu grupo ameaçado às vésperas do
nascimento do bebê mamute.
Enquanto Diego (Marcio Garcia/Denis Leary) vem
perdendo seu instinto selvagem e vê a idade se aproximando,
Many (Diogo Vilela/Ray Romano) e Ellie (Claudia Gimenez/Queen
Latifa) estão ansiosos demais com a vinda de seu filhote; com isso
a preguiça Sid (Tadeu Mello/John Leguizamo) vai atrás de uma
"nova" família e, sem saber, rouba ovos de um Tiranossauro
Rex. Sid cuida de seus filhotes até a mãe verdadeira vir
buscá-los. A preguiça discute com o T-Rex, que acaba levando-a
junto com seus filhos a um mundo subterrâneo, onde
sobrevivem espécies tidas como extintas, como muitos tipos de
dinossauros.
Many, Ellie, Diego e dois gambás falastrões e engraçados iniciam
uma nova aventura em busca do companheiro Sid neste mundo
subterrâneo. Ao chegarem lá, conhecem Buck (Alexandre Moreno/Simon
Pegg), uma transtornada doninha de um olho só que deseja
vingança a Rudy, um gigante dinossauro que a fez perder o
olho. Buck ajuda a turminha a enfrentar plantas carnívoras,
diversos dinossauros, e obstáculos oferecidos pelo cenário surreal.
Aqui é válido destacar a personagem da doninha, que protagoniza
cenas engraçadas e malucas, proporcionando algumas gargalhadas pra
quem curte um humor maluco mesmo, aquele sem explicação. Ela
fala com uma pedra, brinca de fantoche com as mãos e com os
pés e cita que foi casada com um abacaxi, além de cenas cômicas que
nos remetem a filmes como os de John Rambo. A turma logo prega:
"esta doninha é maluca?".
Quanto aos dubladores, destaque para Ray Romano, que na versão
em original arrasta o personagem Many e o deixa com a voz bem
nasal, calma, pacífica. Ponto também para Simon Pegg que, com um
sotaque britânico e com falas rápidas, torna a doninha Buck um ser
diferenciado e superior aos demais, como quem conhece em demasia as
diversas situações de perigo, estando sempre alerta ao mundo
subterrâneo. Na versão dublada, palmas para Claudia Gimenez, que
imprime uma voz valente e segura à mamute Ellie.
A novidade fica por conta da animação em 3D. Cenários coloridos e
agradáveis, personagens novos, piadas boas e inteligentes, o
filme arranca bons risos da platéia. É simples, o roteiro é
bem simples, mas satisfaz quem quer apenas rir e se sentir leve,
como este que vos escreve. Não é preciso do óculos
especial pra perceber tais efeitos em 3D. É uma diversão pras
crianças, em princípio, mas pode muito bem alimentar um
adulto.
Ah! Vocês devem se perguntar sobre o esquisto esquilo Scrat. Sim,
ele está no filme também e, claro, a todo tempo atrás de uma noz
que foge de suas garras pelo filme, sempre paralelo à história dos
protagonistas. No enrolar do filme ele conhece uma esquilo fêmea,
que o seduz, mas logo vira uma concorrente à caça da noz. O casal
monta um lar até que a noz reaparece e aí... Bom, vá ver o
filme!
No sofá da
sala:
"Roger, pegue o gato" e "estou velho
demais para isso" são frases que ficaram famosas num dos thrillers
mais famosos da década de 80 e 90. Minha dica para sua videoteca
particular é a sequência Máquina
Mortífera (Warner Bros.), estrelada
por Mel Gibson e Danny Glover. Os filmes fizeram muito sucesso
devido à química existente entre os dois protagonistas.
Foram quatro longas recheados com cenas engraçadas e com
muita aventura.
Riggs, personagem de Mel Gibson, é um policial
pirado mesmo, emotivo, maluco, insandecido e que faz tudo sem medir
as consequências. Já Roger, interpretado por Danny Glover, é um
tira pacato, racional, aquele que faz tudo certo para não
prejudicar sua tão aguardada aposentadoria. Os dois enfrentam
todos os tipos de criminosos. Ex-militares do Vietnã traficantes de
drogas, diplomatas sul-africanos impunes, uma quadrilha de
ladrões de armas e traficantes de escravos chineses são alguns
do vilões que respectivamente estão nos quatro
filmes.
Além de adorar a atuação completamente oposta de
Gibson e Glover, afinal os dois policiais são bem diferentes, meu
destaque fica para o ator Joe Pesci, que entra no segundo
filme e fica até o fim da série. Papel simples. Fácil. Ele é um
corretor de imóveis influente, chato, puxa-saco, e que
perturba a dupla de tiras o tempo todo. Destaco também aqui
algumas cenas em que me amarro e dou risadas sempre que vejo,
como uma bomba no banheiro do calmo Roger, enquanto ele estava
sentado no vaso (2º filme); a tentativa frustrada de
desarmarem outra bomba no estacionamento de um prédio - quando
aparece um gato (3º filme); Roger de cueca imitando uma
galinha em frente a um atirador (4º filme) e, em especial,
também no quarto filme, a luta dos dois policiais contra o
personagem de Jet Li: nunca apanharam tanto em toda a série. Vale o
riso.
A quadrilogia é pioneira no quesito comédia
policial nas telonas. Os 4 filmes são leves, amarrados, fáceis de
acompanhar, divertidos e com roteiros simples e bons. Diálogos
rápidos e o humor descontraído fazem parte desta obra do estúdio
Warner. Pra mim, a melhor sequência de todos os tempos na
categoria comédia policial.
Opa, quase me esqueci de mencionar a famosa forma de
contar dos dois policiais. Era assim: antes de iniciarem uma
ação, eles entravam em conflito sobre a hora certa de agir. Não se
sabe até hoje se o certo é na base do "1... 2... 3... e" ou do
"1... 2.. e 3".
P.S.: Paulo Gustavo é jornalista e amante
da sétima arte!